A teleperitagem deixou de ser uma experiência e passou a ser mais um canal de trabalho para gabinetes de peritagem, peritos independentes e seguradoras. Mas não é uma resposta universal. Usada nos sinistros certos, poupa deslocações e acelera relatórios. Usada nos errados, gera prova fraca, segundas visitas e discussões com o sinistrado.
Este artigo resume, de forma prática, quando uma peritagem à distância é a escolha certa, quando não é e o que deve preparar para que a sessão produza prova que resista a uma revisão.
Onde a teleperitagem funciona bem
O critério de fundo é simples: a peritagem por vídeo funciona quando o dano é visível, delimitado e pode ser documentado com a câmara de um telemóvel, sem necessidade de medições rigorosas nem de inspeção física.
Sinistros de baixo valor
Um vidro partido, uma infiltração localizada, um eletrodoméstico danificado. Nestes casos, a deslocação pode ocupar uma manhã inteira para uma avaliação que, no local, demora poucos minutos. Uma chamada de vídeo bem conduzida chega para documentar o dano e fechar o processo.
Primeira triagem
Mesmo quando o sinistro pode vir a exigir visita, uma primeira sessão por vídeo ajuda a decidir. O perito percebe a dimensão do dano, confirma se a cobertura se aplica e decide se vale a pena deslocar-se, e com que especialidade. Muitas vezes a resposta é que não vale.
Verificação de reparações e acompanhamentos
Confirmar que uma reparação foi feita, que um equipamento foi substituído ou que uma situação evoluiu como previsto raramente justifica uma segunda viagem. Estas verificações são, por natureza, visuais e objetivas.
Zonas remotas e ilhas
Quando o sinistrado está longe da rede de peritos, numa zona do interior ou numa ilha, a deslocação pode atrasar o processo em dias. A teleperitagem permite começar no próprio dia.
Picos de procura
Tempestades, inundações e outros eventos com muitos sinistros em simultâneo esgotam rapidamente a capacidade de qualquer equipa. Tratar à distância os casos mais simples liberta os peritos para os sinistros que precisam mesmo de visita.
Onde a visita ao local continua a ser necessária
Há situações em que insistir no vídeo é um erro, e convém ter isso definido antes de criar a sessão.
- Danos estruturais que exigem medição. Fissuras, assentamentos, coberturas ou estruturas cuja avaliação depende de medições, instrumentos ou acesso físico não se avaliam com fiabilidade por uma câmara.
- Suspeita de fraude. Quando há indícios de que o sinistro não é o que parece, a prova recolhida pelo perito no local, com os seus próprios meios, tem outro peso. A sessão por vídeo é conduzida pelo sinistrado, e isso limita o que se consegue verificar.
- Sinistros complexos com várias partes. Danos que envolvem vizinhos, condomínios, terceiros ou várias apólices pedem reuniões no local, confronto de versões e uma leitura do contexto que o vídeo não substitui.
- Sinistrados sem condições para conduzir a sessão. Uma pessoa idosa sem apoio, alguém sem um telemóvel com câmara funcional ou uma situação emocionalmente difícil podem tornar a sessão impraticável. Nesses casos, a visita é também uma questão de respeito.
Uma regra útil: se o perito tiver dúvidas sobre a fiabilidade da prova que vai recolher, a teleperitagem deve servir apenas de triagem, nunca de peritagem final.
Checklist rápida de decisão
Antes de propor uma sessão por vídeo, responda a estas perguntas:
- O dano é visível e pode ser mostrado com a câmara de um telemóvel?
- A avaliação dispensa medições rigorosas ou instrumentos?
- Não há indícios de fraude nem versões contraditórias?
- O sinistro envolve uma única parte, ou partes facilmente identificáveis?
- O sinistrado tem um telemóvel com câmara e consegue segui-lo durante a sessão?
- A seguradora aceita teleperitagem para este tipo de sinistro?
Se todas as respostas forem “sim”, a teleperitagem é uma boa candidata. Se houver um “não” nas perguntas 2 ou 3, considere a sessão apenas como triagem. Se houver um “não” na pergunta 5, procure apoio de um familiar ou avance para a visita.
Como preparar uma sessão
Uma boa teleperitagem decide-se antes de a chamada começar.
Antes da sessão
- Confirme os dados do processo. Apólice, morada, descrição do sinistro e documentos já recebidos. O perito deve entrar na chamada a saber o que procura.
- Combine a hora com o sinistrado. Uma sessão marcada corre muito melhor do que uma chamada improvisada.
- Explique o que vai acontecer. Que recebe um link por SMS ou email, que não precisa de instalar nada e que deve estar junto ao local do dano, com o telemóvel carregado.
- Peça condições mínimas. Boa luz, acesso livre à zona afetada e, se possível, rede móvel ou Wi-Fi estável.
Durante a sessão
- Comece por um plano geral do espaço e só depois aproxime a câmara do dano.
- Peça ao sinistrado que mostre referências de escala, como uma porta, uma régua ou uma moeda.
- Tire fotografias nos momentos certos, em vez de depender apenas da gravação.
- Registe anotações e confirme verbalmente os pontos essenciais, para que fiquem no histórico.
Depois da sessão
Reveja o relatório, complete o que faltar e envie-o à seguradora enquanto o processo ainda está fresco. Quando o relatório é gerado no fecho da sessão, este passo leva minutos e não fica para o fim do dia.
Integridade da prova: o que deve exigir
Uma peritagem à distância só tem valor se a prova for fiável. Antes de adotar qualquer ferramenta, confirme estes pontos.
Hashes em cada ficheiro
Cada fotografia, vídeo e relatório deve ter uma impressão digital criptográfica, como um hash SHA-256, calculada no momento da recolha. Se o ficheiro for alterado, por pouco que seja, o hash deixa de coincidir. Isto permite demonstrar, meses depois, que a prova é exatamente a que foi recolhida na sessão.
Metadados
Data, hora, identificação da sessão e do perito devem ficar associados a cada ficheiro. São estes metadados que ligam a fotografia ao processo e ao momento em que foi tirada.
Trilho de auditoria
Quem criou a sessão, quando o sinistrado abriu o link, quem acedeu aos ficheiros e quando o relatório foi gerado. Um registo completo destes eventos responde às perguntas que surgem numa reclamação ou numa auditoria.
Armazenamento e RGPD
Fotografias e vídeos de um sinistro são dados pessoais. Confirme onde ficam guardados (de preferência em território da UE), se estão cifrados e quem lhes pode aceder. O acesso aos ficheiros deve ser controlado, por exemplo com ligações assinadas que expiram.
Em resumo
A teleperitagem não substitui o perito no terreno. Substitui as deslocações que não acrescentam nada à avaliação. O ganho real está em escolher bem os casos, preparar bem a sessão e garantir que a prova recolhida é tão sólida como a de uma visita.
Foi com estes critérios que desenvolvemos o Teleperitagens, uma solução de peritagem por vídeo com a marca da sua empresa: o sinistrado recebe um link por SMS ou email, não instala nada, e o relatório em PDF fica pronto quando a sessão termina, com hash SHA-256 em cada ficheiro e armazenamento na UE. O lançamento em Portugal está marcado para 19 de janeiro de 2027 e pode juntar-se à lista prioritária em teleperitagens.pt.
Quer perceber como encaixa na sua operação? Conheça o Teleperitagens.