Digital Marketing

RGPD e o impacto na sua estratégia de marketing digital

A grande maioria das empresas tem uma estratégia de marketing digital definida que é revista de forma semestral ou anual. Contudo, com a entrada em vigor do RGPD em maio de 2018 (mais propriamente a 25 de maio), a verdade é que vai existir um impacto que a grande maioria ainda nem sequer tem noção.

Embora as boas práticas do marketing digital ditem que o envio de informações a potenciais consumidores só deve ser feito no caso de os mesmos solicitarem o seu envio (como é o caso do email marketing) a verdade é que infelizmente muitas empresas passam por cima dessa questão (muitas vezes as bases de dados das empresas são compradas).

Assim sendo, hoje iremos abordar qual o impacto que o RGPD terá a nível de marketing para muitas empresas.

Está a sua estratégia de marketing digital preparada para o RGPD?

Hoje em dia, quando falamos de marketing digital, as empresas associam o mesmo, na sua grande maioria a publicidade (através do Facebook, Google Adwords ou mesmo LinkedIn), mas também à angariação de emails que vão ser trabalhados e segmentados de forma a criar uma base de clientes para email marketing.

Pois bem, neste caso em específico, é preciso ter em mente que o impacto (a nível das bases de dados) vai ser enorme.

Hoje em dia, os dados dos consumidores e utilizadores de serviços, constituem um ativo cada vez mais valioso na definição das estratégias de marketing digital.

Há inclusivamente quem diga que o “Big Data” é o “novo ouro” ou o petróleo da era moderna, o que não deixa de ser verdade se tivermos em conta que um correto tratamento de dados permite definir o perfil de uma pessoa, permitindo que sejam analisadas e previstas as suas preferências, o seu comportamento e as suas atitudes futuras.

Ou seja, resumidamente, os dados dos consumidores são uma mais valia imensa para as empresas, já que permitem uma correta segmentação de um target.

Mas, se até agora o processo era mais ou menos facilitado, com a implementação da nova lei de proteção de dados, as empresas têm efetivamente de recolher os dados de forma legítima e têm também de garantir os direitos do consumidor quanto à análise e utilização dos seus dados pessoais.

Das várias alterações que vão ser implementadas, as que são mais notórias são as seguintes:

  • “Breach Notification” – Ou seja, em caso de violação de dados pessoais passa a existir a obrigatoriedade e a necessidade de comunicar com as autoridades competentes e com os consumidores afetados, num prazo de 72 horas;
  • “Right to Access” – Garante a qualquer pessoa o direito de acesso aos seus dados pessoais, podendo pedir uma cópia de todos os dados que sejam detidos pela organização;
  • “Right to be forgotten” – Trata-se do direito a ser esquecido, através do pedido da eliminação dos seus dados pessoais diretamente às organizações, devendo esse direito ser concedido com a maior brevidade possível.
  • “Data Portability” – Trata-se do direito que o consumidor tem de pedir que os seus dados pessoais, sejam transmitidos a outra entidade;
  • “Data Protection Officer” – Trata-se de garantir que as empresas tenham recursos humanos que registem e mantenham uma proteção efetiva de dados;
  • Consentimento por parte de quem dá as informações pessoais deve ser numa linguagem clara e sem grandes floreados (neste ponto deve analisar a política de utilização e privacidade que tem disponível no seu site).

 
Quais as principais consequências da implementação da RGPD para a sua empresa?

Agora que já sabe quais são as diretrizes mais importantes da implementação da RGPD, é importante que tenha em mente que isso terá implicações diversas a nível das estratégias de marketing digital das empresas, nomeadamente as seguintes.

1 – Contração das bases de dados disponíveis

Quanto mais explícita forma a permissão necessária do consumidor, e quanto mais simples for o cancelamento do acesso das empresas a estes dados, mais complicado vai ser gerar e expandir as bases de dados, principalmente quando for para utilização de terceiros (como é o caso das empresas que vendem bases de dados).

2 – Limite do alcance de determinados canais

Existem inúmeras estratégias de marketing digital (como é o caso dos cookies e do remarketing) que não são baseadas em aceitações explicitas do consumidor.

Desta forma, as mesmas vão ser bastante mais limitadas, como consequência do ponto anterior. Quanto menor for o público alvo, mais pequeno será o alcance obtido.

3 – Aumento do custo por clique

Outro dos impactos indiretos que o RGPD irá ter a nível digital, passa essencialmente pelo preço médio por clique dos anúncios pagos (nomeadamente no Google e no Facebook).

Além disso, a aplicação de agrupamento de dados em bases de dados de terceiros será muito mais dispendiosa, tornando todo o modelo de publicidade paga mais caro e menos preciso.

Estas três questões são as que vão efetivamente ter um impacto maior na estratégia de marketing digital das empresas, e acabam por ser bastante lógicas, já que a lei da oferta e da procura vai ser impactada.

A conclusão a que se chega, é que com a implementação da nova lei de proteção de dados, as empresas devem implementar uma estratégica de marketing digital com maior peso a médio e longo prazo, em detrimento de ações imediatas.

Assim sendo, o investimento em SEO, marketing de conteúdos, Inbound marketing e tudo o que permita à sua empresa fortalecer e estreitar o relacionamento com o cliente, são efetivamente as estratégias em que a sua empresa se deve focar no imediato, pois são aquelas que a médio e longo prazo vão trazer um maior retorno para o seu negócio.